Da dormência nas mãos às dores nos pés: entenda porque os tratamentos oncológicos afetam os nervos e como a ciência da acupuntura ajuda na recuperação.
Para muitos pacientes, tocar a “sino da vitória” no fim da quimioterapia é um momento de alívio, mas não marca necessariamente o fim dos desafios de saúde. Um dos efeitos secundários mais comuns — e silenciosos — do tratamento oncológico é a Neuropatia Periférica Induzida pela Quimioterapia (NPIQ).
Esta condição não se resume apenas a dor. Para uma grande parte dos pacientes que recebo em clínica, o sofrimento é diferente: é a perda de tato que impede de abotoar uma camisa, a dormência que faz com que não sintam o chão ao caminhar, ou os formigueiros constantes nas mãos e pés que incomodam dia e noite.
A medicina farmacológica convencional tem um papel limitado aqui. Fármacos como a gabapentina ou duloxetina focam-se em “mascarar” a dor, mas são pouco eficazes para resolver a falta de sensibilidade ou reparar o dano nervoso, trazendo frequentemente efeitos secundários como sonolência e confusão mental.
É aqui que a Medicina Chinesa, através de uma abordagem funcional e baseada na evidência, oferece um caminho diferente: não apenas gerir o sintoma, mas estimular a reparação do nervo.
O “Curto-Circuito” Químico: O Que Acontece aos Nervos?
Para entender o tratamento, precisamos de entender o mecanismo. Fármacos quimioterápicos (especialmente taxanos e platinas) são desenhados para atacar células de crescimento rápido. Infelizmente, eles também são neurotóxicos: atacam as mitocôndrias (as baterias) das células nervosas e danificam os axónios (responsáveis por conduzir e transmitir impulsos eléctricos para outras células)
O resultado é uma falha de comunicação.
- Se o nervo fica hipersensível: O paciente sente choques, picadas ou ardor.
- Se o nervo perde função (mais comum): O paciente sente dormência, “mãos de algodão” e desequilíbrio.
1. Prevenção e Proteção: O Papel da Fitoterapia
A investigação científica moderna tem validado o uso de fórmulas específicas de fitoterapia (plantas medicinais) durante e após os ciclos de quimioterapia.
O objetivo não é interferir com a eficácia do tratamento oncológico — isso é sagrado. O objetivo é criar um “escudo” para os nervos. O mecanismo é puramente farmacológico: os compostos ativos destas plantas regulam vias inflamatórias específicas (como a inibição do NF-κB e a regulação do Ácido Araquidónico). Em linguagem simples, reduzem o “fogo cruzado” inflamatório que a quimioterapia provoca, protegendo a integridade da bainha de mielina (a capa do nervo).
Isto traduz-se em terminar os tratamentos com o sistema nervoso mais preservado e com menos sequelas permanentes.
2. Tratamento da Fase Crónica: Reeducar com Eletroacupuntura
Quando a neuropatia persiste meses após o fim da quimioterapia, já não estamos a lidar apenas com toxicidade aguda, mas com um sistema nervoso que “desaprendeu” a funcionar corretamente ou que ficou com lesões crónicas.
Para estes casos — seja para aliviar a dor ou para “acordar” zonas dormentes — a Eletroacupuntura (EA) é a ferramenta de eleição (recomendada, inclusive, pela Society for Integrative Oncology).
A Eletroacupuntura é uma técnica de neuromodulação avançada. Ao aplicarmos micro-correntes elétricas precisas nas agulhas, atuamos em três níveis fundamentais:
- Ação Local (Nutrição e Despertar): Para quem sofre de dormência e formigueiro, este é o ponto chave. A corrente elétrica provoca uma vasodilatação intensa, forçando a entrada de sangue novo, oxigénio e nutrientes nos pequenos vasos que alimentam os nervos. É o combustível necessário para a regeneração.
- Ação Segmentar (Bloqueio da Dor): Se houver dor, a estimulação elétrica na coluna “fecha a porta” à passagem desse sinal para o cérebro, proporcionando alívio sem sedação química.
- Ação Central (Neuroplasticidade): Estimulamos o cérebro a libertar endorfinas e a modular a resposta inflamatória sistémica, ajudando o corpo a sair do estado de alerta constante.
O Nosso Protocolo Clínico: Da Raiz às Pontas
Um erro comum é tratar apenas onde dói ou onde está dormente (as pontas dos dedos). Na nossa clínica, sabemos que a eficácia depende de tratar o trajeto todo.
O nosso protocolo atua na origem do nervo (na coluna vertebral) e nas extremidades afetadas. Combinamos a Eletroacupuntura para estimular a função nervosa com Fitoterapia.
Conclusão: Recuperar a Qualidade de Vida
A neuropatia pós-quimioterapia é uma “cicatriz” do tratamento, mas não tem de ser uma sentença perpétua.
A sensação de formigueiro, a falta de tato e a dor neuropática respondem positivamente a estímulos adequados. A Medicina Chinesa oferece ferramentas validadas pela ciência para promover a neuroproteção e a neuromodulação, ajudando-o a recuperar a segurança e o conforto no seu próprio corpo.
Terminou os tratamentos mas continua a sentir os efeitos nos nervos? Não aceite a dormência ou a dor como o seu “novo normal”. Entre em contacto connosco para avaliarmos o seu caso e desenharmos um plano de recuperação neurológica.

